sexta-feira, 15 de novembro de 2013

Teatro - O Castelo de Açucar

O CASTELO DE AÇUCAR


NARRADOR: Egolanda era uma formiguinha muito esperta que morava em um grande formigueiro. Como formiguinha operária sua responsabilidade era trazer alimento para as outras irmãs. Naquele dia, Egolanda decidiu que iria para a região próxima à cerca do parque. Era domingo, estava repleto de pessoas e, com certeza, acharia muita comida. Pediu autorização ao chefe do serviço, no que foi prontamente atendida. assim, correu para o parque. Passou por muitos troncos, folhas, árvores, até que chegou à grande cerca. olhou de um lado, olhou de um lado, olhou do outro e decidiu ir mais adiante, até que...
EGOLANDA: Nossa! Puxa! Vou olhar mais de perto.
NARRADOR: Ela havia encontrado uma enorme montanha, toda branquinha. percebeu que aquela enorme montanha era toda feita de açúcar. Ficou tão maravilhada com a sua descoberta que gritou bem alto:
EGOLANDA: Estou rica, rica... Esta montanha inteira daria para alimentar o formigueiro todinho por mais de um ano!
NARRADOR: Mas, aquela alegria mudou de repente...
EGOLANDA: O quê? Eu... Dividir isto com aquelas formigas preguiçosas? Quem achou fui eu. Poderei passar o resto da vida aqui, sentada e sem fazer nada. Vou construir o meu castelo e serei a rainha do açúcar. Quem quiser do meu açúcar que pague, e caro. Mas, primeiro vou construir uma muralha em volta para evitar as formigas intrusas em meu palácio. 
NARRADOR: Passou o dia todo catando gravetos, folhas. Construiu o muro e o castelo. Já era noite e lá no formigueiro todas estavam muito preocupadas porque ela não havia voltado. Falaram com a rainha da sua ausência e ela, imediatamente, ordenou que fossem providenciados alguns grupos de busca. Deviam partir logo pela manhã. No outro dia, de manhã cedinho, várias equipes saíram à sua procura. Ela foi encontrada tomando sol na varanda do seu castelo.
FORMIGA I: Egolanda! O que faz aí?
EGOLANDA: Agora estou rica e não preciso de vocês. Olhem o meu reino e fiquem maravilhadas com tudo o que tenho.
NARRADOR: Todas se entreolharam. Como não entenderam nada, voltaram correndo para o formigueiro e contaram tudo à rainha. Ela então resolveu ir fazer uma visita para ver o que se passava. Chegando lá observou aquela montanha e percebeu o que havia acontecido. Dirigiu-se a Egolanda e falou:
RAINHA: Minha filha, sei o que se passa. Esta montanha é toda de açúcar, não é?
EGOLANDA: Sim, e toda minha também.
RAINHA: Mas, egolanda, pense bem como poderia ser útil para todas nós a sua descoberta. Poderíamos ter alimento por um longo período de tempo!
EGOLANDA: O que? Você acha que eu vou dividir tudo isso com vocês? Agora também sou uma rainha e nunca mais trabalharei para ninguém.
RAINHA: Mas o trabalho é um meio de você se sentir útil.
EGOLANDA: Besteira, fora daqui; não quero ver nenhuma de vocês nunca mais.
NARRADOR: A rainha se entristeceu muito. A chefe da guarda que havia acompanhado a rainha ficou indignada com a atitude de Egolandra e falou:
FORMIGA II: Majestade, vamos tomar a montanha à força e depois prenderemos essa ingrata e...
RAINHA: Não, ela não está precisando de prisão; ela está doente, muito doente... Vamos embora e deixemos tudo como ela deseja.
NARRADOR: As formigas foram embora e deixaram Egolanda em sua nova casa. O tempo foi passado e ela ficava o dia inteiro sem fazer nada, só comendo e dormindo. Certo dia começou a cair uma chuvinha muito fininha que logo virou uma grande tempestade. Egolanda estava protegida no seu castelo. Como estava chovendo, foi dormir um pouquinho. Arrumou sua caminha e tirou uma soneca. A chuva, que estava caindo lá fora, aos poucos foi derretendo a montanha e começou a formar uma enorme lagoa de melado. Egolanda acordou assustada e viu que estava presa e cada vez se afundava mais e mais. Tentou sair dali, mas não tinha no que segurar. 
EGOLANDA: Socorro! Socorro! Socorro! Alguém me ajude!
FORMIGA I: Majestade, tem alguém lá fora precisando de ajuda e está gritando por socorro.
RAINHA: Chame a equipe de resgate e salve a criatura... Depressa, anda...
FORMIGA I: Nossa! É a egolanda. Vamos levar a fujona pra rainha.
NARRADOR: Chegando ao formigueiro, para espanto geral, a rainha mandou que arrumassem o melhor quarto e chamassem os melhores médicos. Cuidou pessoalmente dela durante muitos dias, até que Egolanda despertou. Abriu os olhos e viu a grande rainha à sua frente.
RAINHA: Ei filha, está melhor?
EGOLANDA: Majestade o que estou fazendo aqui: só me lembro de estar me afogando naquela lagoa de melado...
RAINHA: Retiramos você de lá. Agora você tem que descansar para ficar completamente boa. Está com fome?
EGOLANDA: Sim.
RAINHA: Traga sopa, por favor. Agora que você já está um pouco melhor, vou voltar às minhas tarefas. As enfermeiras cuidarão bem de você.
NARRADOR: Sentindo-se amparada, egolanda começou a se lembrar do que havia feito. Lembrou-se que havia negado partilhar sua descoberta com as irmãs e não compreendia porque estavam tratando dela tão bem. Já não era mais rica, já não tinha mais nada a oferecer.
EGOLANDA: Majestade, por que vocês estão me tratando assim depois de tudo o que eu fiz?
RAINHA: O que você fez não foi correto, mas existe algo que você não está levando em consideração.
EGOLANDA: O quê? 
RAINHA: É que nós amamos você.
NARRADOR: Diante daquelas palavreas, Egolanda começou a chorar. Desejou naquele momento ter morrido na lagoa, tamanha a vergonha que sentia.
RAINHA: Espero que você sare logo para que possa voltar ao trabalho.
EGOLANDA: A senhora não vai me castigar por tudo o que eu fiz?
RAINHA: Você não acha, filha, que já se castigou o bastante? É muito bom que esteja de volta.
NARRADOR: A rainha retirou-se do quarto e Egolanda chorou por muito ... E muito tempo. Chorava não mais de vergonha do que havia feito, mas de felicidade, porque havia compreendido que o tesouro maior neste mundo só os amigos que conseguimos conquistar com o perdão, amor e solidariedade.


MÚSICA: A LIÇÃO DA FORMIGUINHA. 

LIVRO - CASTELO DE AÇUCAR - ESPIRITO VOVÓ AMÁLIA - ROBSON DIAS- FEB










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